Nos primeiros dias de vida do bebê, é comum surgirem dúvidas sobre a amamentação. Uma delas é sobre o chamado freio da língua curto, também conhecido como anquiloglossia. Mas será que isso realmente pode atrapalhar o bebê a mamar?
Um estudo recente publicado na revista científica Midwifery analisou diversos trabalhos científicos sobre o tema e trouxe informações importantes para pais e profissionais de saúde.
O que é o freio da língua curto?
O freio da língua é uma pequena membrana que liga a língua ao assoalho da boca. Em alguns bebês, esse freio pode ser mais curto ou mais rígido, limitando os movimentos da língua.
Quando isso acontece, o bebê pode ter dificuldade para:
- fazer uma boa pega no peito
- sugar de forma eficiente
- ganhar peso adequadamente
- manter a amamentação confortável para a mãe.
O que os estudos mostram
A pesquisa mostrou que uma parte dos bebês que têm dificuldade para mamar apresenta freio da língua curto. No entanto, os resultados variam bastante entre os estudos.
Isso acontece porque:
- existem diferentes formas de diagnosticar o problema
- nem todo freio curto causa dificuldade para mamar
- muitas vezes outros fatores também influenciam a amamentação.
Ou seja: nem sempre o freio da língua é o principal motivo da dificuldade na amamentação.
Quando é importante investigar
Os pais devem procurar avaliação se o bebê apresentar:
- dificuldade para pegar o peito
- mamadas muito longas ou cansativas
- pouco ganho de peso
- dor intensa no mamilo durante a amamentação
- estalos durante a mamada.
Nesses casos, o ideal é que o bebê seja avaliado por:
- pediatra
- profissional especializado em amamentação
- fonoaudiólogo (em alguns casos).
Nem todo freio curto precisa de cirurgia
Hoje sabemos que nem todos os bebês com freio curto precisam de procedimento.
Antes de pensar em cirurgia, é importante:
- avaliar a amamentação
- corrigir a posição e a pega
- acompanhar o ganho de peso do bebê.
Quando realmente necessário, o procedimento chamado frenotomia costuma ser simples e seguro.
Porém deve ser realizado após a avaliação do pediatra e do cirurgião pediátrico, que deve ser o profissional que irá realizar o procedimento.
O mais importante
A amamentação envolve muitos fatores. Por isso, se houver dificuldade, o melhor caminho é conversar com seu pediatra e tirar todas as suas dúvidas
Com avaliação adequada e apoio, a grande maioria das mães consegue seguir com a amamentação
Referência científica
Prevalence of ankyloglossia among infants with breastfeeding difficulties: a systematic review. Midwifery, 2025.
https://doi.org/10.1016/j.midw.2025.104564
